Coração libertário, mente niilista

Na sociedade líquida de dicotomias instauradas
Sob um divisor de águas entre o saber e o poder
Opera o catalisador cognoscente do meu sofrer
Pensar versus fazer, a luta de classes engendradas

Destarte, o espírito insípido do absoluto
Compraz meu luto no velório da emoção
A ação-direta com desconto na liquidação
É tática demasiada humana do mais arguto

Razão e humanidade: um combate nas trevas da televisão
E a cimitarra volpal ecoa além da superfície
Causa imputada ao falecimento sacro do artíficie
Que póstumo nascera antes que assistisse

As regularidades tornarem-se mais acidentais
Que os tais acidentes, quais convertem a gente das cidades
Demais descrentes nos processos causais
De quaisquer entranhas sócio-estruturais

Vivo na liberdade deste aquário de maldade
Onde as sombras parecem-me mais humanas
Que as pessoas de carne, espinhos  e escamas

Há que possuir neste mundo hídrico:
Espírito de sardinha, veneno de baiacu e voracidade de piranha
Pois aqui quem ganha é aquele que menos de humano apanha

 

Minas Gerais, sexta-feira 13 de Agosto de 2010.

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